Finalmente fui até lá. Apesar de estar na zona, foram precisos quase dois meses para ver aquilo a que chamam o maior organismo vivo do planeta. É impressionante como nesta zona vendem e divulgam tudo como estando directamente ligado ou sendo um acessório da Grande Barreira de Coral (GBC), quando a bosta do reef fica longe da costa pra cacete.... – “localizado no coração de uma das sete maravilhas do mundo” ou “rodeado pela world heritage”, ou “inspirado pela beleza natural da GBC” e milhares de outros adjectivos e blá, blá, blá que só apetece é bleargh. Aqui, se não tens barco ficas a ver a GBC por um canudo. Começava já a mentalizar-me que apenas iria visitar a GBC umas quantas vezes, quando decidisse ir com as inúmeras
empresas de mergulho que por aqui operam, quando eis que conheço um Italiano que tem barco e que está sempre pronto para lá ir. Como dizem, melhor do que ter um barco é conhecer alguém com um barco. Por isso, tenho agora uma porta de entrada para idas mais regulares ao coral, ainda que o objectivo não seja apenas apreciar a beleza do coral, mas sim para PREDAR...
Mas quem bem me conhece sabe que mais do que predar tenho aqui a oportunidade de fazer uma das coisas que mais gosto: freediving no azul, passar 4 a 5 horas dentro de água sem grandes apetrechos às costas. Estando lá uma arma, permite-me apanhar algumas das minhas próximas refeições. Não apanho muitos (tenho-me ficado pelos dois, a quantidade ideal para a semana), não são muito pequenos pois aqui são muito restritivos relativamente a tamanhos mínimos, mas também não muito grandes, pois os predadores de topo têm grandes quantidades de ciguaterra, acumulação de uma toxina proveniente de uma microalga e que se ingerimos em quantidade resultam em efeitos secundários desagradáveis que podem durar meses ou anos (história contada por experiência própria). Assim é perfeito, não há a tentação de trazer grandes predadores como grandes barracudas ou giant trevalis e asseguro que ainda cá andem quando me vierem cá visitar.
Estando lá a arma, da também outra segurança quando nos cruzamos com os outros predadores que por aqui andam... Foi logo na segunda apneia que os vi, estava la no fundo à espera dos pelágicos e distraio-me com uma tartaruga que passava ao meu lado (tantas por aqui) e fico a segui-la durante uns instantes e quando olho novamente para a frente tenho um tubarão de pontas brancas a poucos metros de distância e que nesse mesmo instante muda a sua trajectória. Quando pensava na sorte que tinha sido ver um tubarão tão de perto, apercebi-me que por aqui são aos montes, diria que uma em cada cinco vezes que fui lá baixo me cruzei com um tubarão. Ate agora só vi pontas brancas ou pontas negras, descritos como tubarões tímidos e inofe
nsivos para o homem, mas claro que caçar peixes com eles nas redondezas pode fazê-los mudar de comportamento. O alucinado do Italiano apanhou um Spanish mackerel e quando estava pronto para pô-lo em cima da bóia apareceu um pontas brancas a reclamar uma parte do peixe. Mas ao Italiano não lhe apetecia partilhar o peixe e protegeu-o e começou as barbatanadas ao tubarão. Depois acabou por contar-me outras histórias impressionantes de alguém que está muito habituado e à vontade a gerir as presas com estes predadores. Não quero chegar a esse ponto...
Resumindo, as minhas duas idas à GBC. Na primeira vez fomos a uma ilha de coral mais exterior mas que estava completamente submerso e por isso não tenho fotos dela. E a que esta no mapa em baixo.
Como a visibilidade não estava nada de espetacular também não usei a maquina para tirar fotos ao que vi. Ficam aqui foto sacadas da net dos destaques: um imenso maori hear-wrasse (impressionante), um giant potato cod e cardumes de giant trevalis.
Da segunda vez, ficamos mais perto da costa numa zona de várias ilhas de rocha. Se seguirem mais para sul no mapa, chegam à Great Palm Island e a sudeste desta encontram a Albino Rock. Esse seria o nosso spot matinal e quando íamos direitos ao ilhéu pra entrar dentro de água vejam quem já lá estava toda contente... Uma humpback whale que ficou por ali durante uns belos minutos aos saltos e a fazer todo o tipo de acrobacias para nos impressionar. E estas não são fotos da net, são tiradas com a minha maquineta, logo dá para te ruma ideia do quão perto estava de nos, foi um daqueles momentos..
Depois fomos apanhar uns peixinhos e à ida para terra paramos na ponta da Havana Island (está lá no mapa),
fizemos uma fogueira, sacamos dois filetes a um dos peixes e comemos tipo pré históricos rodeados por
um belo cenário.... Agora sim, começo a fazer no outro lado do mundo aquilo que gosto e que também fazia aí, muda o cenário e a companhia.
De resto, no meu dia a dia tudo normal, o mesmo triângulo que já descrevi mas agora pedalando a MINHA bicicleta, my precious, a minha nova bebe, olhem para estas curvas....
Vou estando presente numa ou outra festa que me vão enturmando lentamente. E como não tenho a praia aqui a porta para dar os meus banhos matinais, uso o rio aqui que tambem esta a porta. Quem não tem cão caça com gato....
E com isto já lá vão quase dois meses....